CONVIDADA: Laísa Destro - Nutricionista: sobre Pandemia, ansiedade e dieta
- Idiomas & Intercâmbios

- 13 de jul. de 2020
- 4 min de leitura
Atualizado: 26 de jul. de 2020

Uma pandemia, quem diria? Nunca imaginei que viveria algo assim. À época das primeiras notícias, confesso que não levei muito a sério – tudo estava acontecendo bem longe daqui. Continuei indo ao consultório e à academia, agendando consultas e planejando viagens. Só que tudo aconteceu muito rápido e, a cada dia que passava, a situação parecia mais e mais grave.
Estabelecimentos fechando, voos sendo cancelados, escolas e universidades anunciando o início de aulas online, a economia derretendo, as ruas vazias, a quarentena, o isolamento, a vulnerabilidade, a perda da liberdade. Logo no começo do ano. A preocupação. O pânico.
Nos meus primeiros dias sem poder sair, a ficha ainda não havia caído. Isso durou pouco, porque quanto mais tempo eu passava em casa, mais tempo ocioso eu tinha e, consequentemente, mais tempo eu gastava fuçando no celular. Tornou-se impossível escapar das notícias, que me mostravam a todo momento o mundo paralisado, os números subindo, as pessoas morrendo e o caos instalado. Um vírus fez todo mundo perceber o quão frágeis são a vida e a humanidade. O futuro é incerto: ninguém sabe o que vai acontecer amanhã, na próxima semana ou no mês que vem. Estamos vivenciando uma situação sem precedentes cujos desdobramentos são desconhecidos, e isso apavora. Um misto de angústia e ansiedade tomou conta de mim – e de mais muita gente, acredito. Embora seja totalmente aceitável e esperado que as atuais circunstâncias afetem nosso emocional, não podemos, de maneira alguma, deixar a saúde mental de lado.
Vi gente defendendo que, por esta ser uma fase extremamente delicada e estressante, não precisamos nos preocupar com produtividade, exercícios físicos, alimentação saudável e quaisquer outras atividades, e que é ok passar o dia inteiro no sofá sofrendo pelo que acontece lá fora. Eu não concordo. Na minha opinião, agora é um momento em que a adoção de estratégias de autocuidado se faz essencial. Temos que continuar fazendo, dentro do possível, as coisas que nos fazem sentir bem. Temos, sim, que adaptar nossa rotina à essa nova realidade temporária – estudando, lendo, nos exercitando, nutrindo o corpo, praticando hobbies –, porque, mesmo que tudo esteja parado, nós não estamos. Claro que podemos nos sentir tristes, apreensivos e pra baixo, ter uma preguicinha, acordar um pouquinho mais tarde e comer algumas besteirinhas aqui, outras acolá. Acho má ideia, no entanto, ceder às nossas lamentações, preocupações e ao estresse. Alguns conselhos:
. Busque informações em fontes confiáveis. Nada de áudios e mensagens do WhatsApp.
. Evite ficar lendo notícias o dia inteiro – estabeleça horários específicos pra isso.
. Pratique exercícios físicos. Libera endorfina e você se sente bem.
, Se alimente bem.

Sobre o último item: não existe milagre e não adianta comprar mil comprimidos de vitaminas. Se você quer fortalecer sua imunidade, se preocupe em ter uma alimentação saudável, nutritiva e equilibrada. Agora (nunca é, mas agora, nem pensar!) não é hora de fazer dietas restritivas ou excluir grupos de alimentos da dieta, não apenas porque deficiências nutricionais enfraquecem a resposta imunológica, mas também porque restrições alimentares afetam nosso psicológico, nos deixando mais estressados e ansiosos. Hoje, tendo em vista que o bem-estar emocional deve ser uma prioridade durante o isolamento, meu foco são os alimentos que ajudam a reduzir os sintomas de ansiedade. Então, o que você deve incluir?

, Vitamina B9: vegetais verde escuros, fígado, levedura, feijão, grão-de-bico, lentilha, ervilha, beterraba, aspargo, brócolis, abacate, frutas cítricas, mamão, banana, sementes e oleaginosas, gérmen de trigo, alimentos fortificados (no Brasil, a farinha branca é fortificada com ferro e ácido fólico)
, Vitamina B12: carne bovina, peixes, frutos do mar, ovos, leite e derivados, aves
, Colina: ovos, leite e derivados, carne, farelo de trigo, gérmen de trigo, soja
, Magnésio: cacau, abacate, oleaginosas, leguminosas, tofu, sementes, grãos integrais, salmão, banana, vegetais verde escuros
, Ômega 3: sardinha, salmão, atum, chia, linhaça, nozes
, Triptofano: ovos, queijos, tofu, salmão, oleaginosas, cacau, arroz integral, feijão, lentilha, abacate, aveia, semente de gergelim, semente de girassol, quinoa, amaranto, atum
, Vitamina D: sol (15 minutinhos de exposição ao sol das 10h-16h são suficientes – sem proteção!), atum, sardinha, salmão, gema do ovo, fígado, gordura do leite, óleo de fígado de bacalhau
Probióticos e prebióticos também são extremamente importantes, porque o intestino é nosso “segundo cérebro”: o microbioma intestinal se comunica com o sistema nervoso central e exerce enorme influência sobre ele, então o desenvolvimento e a função neurológicos, o humor e a cognição são afetados pela composição da microbiota. Além disso, é no intestino que ocorre a maior produção de neurotransmissores e substâncias neuromoduladoras – cerca de 95% da serotonina é produzida lá, por bactérias intestinais. Para uma microbiota saudável e bom-humor, inclua na dieta prebióticos, que são fibras (frutas, legumes, aveia, cereais integrais, leguminosas etc.), e probióticos (iogurte natural, kefir, queijo gouda, muçarela, cottage), além de gorduras boas (abacate, azeite, castanhas, sementes, salmão, sardinha, atum...) e antioxidantes.
Os antioxidantes não são essenciais só por beneficiar a microbiota. A ansiedade (e até a depressão!) tem associação com o estresse oxidativo, que ocorre quando a defesa antioxidante do corpo não consegue neutralizar a quantidade excessiva de radicais livres produzidos. Como o cérebro consome muito oxigênio, até o menor desequilíbrio entre as defesas antioxidantes e a produção de radicais livres é péssima para os neurônios, causando neuroinflamação. Então, no geral, capriche no consumo de frutas e legumes, faça chá verde, chá de gengibre, use açafrão e outros temperos naturais nas preparações, acrescente canela e cacau às suas receitas, coloque sementes nas saladas e dê preferência aos grãos integrais.
E mais uma coisa... não chute o balde durante a quarentena. Lembre-se que ela vai terminar. Se não souber como se alimentar bem durante este tempo, procure um BOM nutri! Continue cuidando do corpo e da mente – SEMPRE! Fique bem!
LAISA DESTRO - NUTRICIONISTA. Para contato e outras informações:
SITE: www.laisadestro.com/blog
INSTAGRAM: @laisadestro.nutri





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